Pink Floyd

Os Floyd nascem na Primavera de 66 quando Waters,Wright e Mason se juntam a Syd Barrett. Até então Waters, Wright e Mason com os seus Abdabs, uns dias, e T-Set noutros, não passavam de mais uma banda de rhythm and blues. Com Syd Barrett o trio rapidamente sente que se deixará de pôr este problema de criatividade e de estímulo artístico. Com efeito, Barrett tem ideias sobre tudo e, o que é essencial, ideias originais!... No princípio os Floyd limitavam-se a tocar trechos de Bo Diddley, Rolling Stones e de clássicos dos blues. Mas faziam-no já de maneira diferente e com uma forma de se apresentarem em palco, profundamente originais. Assim, os Pink Floyd, apaixonados pela electrónica e pela ficção científica, começaram logo a triturar os sons dos seus instrumentos e a experimentar as técnicas do Larsen e do Eco.
A primeira etapa para se tornarem conhecidos do público é a noite de lançamento do IT na Roundhouse, ocasião para o grupo enfrentar o underground londrino, com o qual nunca tinha sido verdadeiramente confrontado. A actuação dos Floyd, embora não deslumbrasse, foi pelo menos satisfatória. A personalidade perturbante de Syd Barrett, a sua voz trocista, a sua execução torturada na guitarra, inquietaram e fascinaram um público ávido de emoções fortes. As primeiras horas do ano de 67 ficarão na história dos Pink Floyd como um momento privilegiado. Isto porque, a 31 de Dezembro, o grupo participa no espectáculo de inauguração do UFO. Não é por acaso que os Pink Floyd se tornam de repente na figura mais popular do underground londrino.
A 27 de Maio, os Fluído Cor-de-Rosa actuam como atracção no Queen Elisabeth Hall, aí, os incondicionais seguidores do grupo, espectadores privilegiados nesta sala Pleyel de Londres tomada de assalto por meio mundo, reparam na extraordinária actuação de Syd Barrett, «The Sorcerer's Apprentice», o Aprendiz de Feiticeiro como é apelidado no dia seguinte. Numa espécie de premonição, Syd Barrett, vai dar no Queen Elisabeth Hall o melhor concerto da sua carreira em Londres. Será também, e ele provavelmente já o sabia, um dos últimos. Apenas Rick Wright consegue dialogar com este «viajante» impenitente que se lança em longos solos rasgados e torturados. O seu público mergulha nas profundezas do inconsciente e plana nos píncaros do sonho. Nesse dia os Floyd são apenas Syd Barrett, com contribuições cénicas e musicais alucinantes, trocista, criando um clima insustentável, que deixou a imprensa e o público prostrados, inquietos e vencidos. Muitos se interrogaram como pode um ser humano repetir este género de experiências várias vezes por semana. Efectivamente, o formidável "geyser" que era então Barrett não tardará a enfraquecer, pagando os esforços da sua música e universo cósmico-barrocos!... E é nesta altura que os Floyd atravessam a sua primeira grande crise, quando é finalmente reconhecida a sua música classificada de demasiada avançada. Syd Barrett num estado de completo esgotamento físico e moral, apresentando sintomas de paranoia avançada, deixa o grupo no fim de Julho e vai refugiar-se em casa dos pais em Cambridge. Esta crise de Barrett é, mais ou menos bem abafada do grande público, e uns meses mais tarde o inspirador dos Floyd volta com novas energias e a sua loucura. A 22 de Agosto é anunciada a saída do 1º álbum, THE PIPER AT THE GATES OF DOWN, onde se incluem os soberbos "Interstellar Overdrive" e "Astronomy Domine", este último um cartão de visitas durante anos dos concertos dos Floyd. A 2 de Novembro os Floyd vão enfrentar a Costa Ocidental da América e em S. Francisco vão surpreender os "filhos das flores", deixando toda a gente desconcertada com a sua música. As opiniões foram divididas, uns gostaram outros nem por isso.
Depois da digressão americana, Barrett esgotado e exausto já só faz figura de corpo presente nos concertos, e os restantes Floyd decidem que têm de arranjar outro elemento. E o escolhido foi David Gilmour, "velho" conhecido de Barrett e Waters do tempo de escola de Cambridge, terra natal dos três. Barrett deixa definitivamente os Floyd em 68. Com a entrada de Gilmour a banda volta a ganhar equilíbrio e Waters e Wright passam a ser o núcleo musical e inspirador dos Floyd, onde A SAUCERFUL OF SECRETS, segundo álbum de originais ilustra bem isso. Os anos 69 e 70 são de arrasar para a saga dos Floyd, entre a América e Europa quase nem têm tempo para respirar. A 14 de Abril dão um concerto especial no Festival Hall de Londres onde apresentam "The Man" a sua nova criação, uma "suite" de 40 minutos que retrata o "Homo Economicus" médio. Entretanto, em dois concertos, em Birmingham (no célebre club Mothers) e em Manchester, o grupo aproveita para gravar um álbum ao vivo que mais tarde vai fazer parte do duplo e fabuloso UMMAGUMMA. Para logo de seguida fazerem a música de MORE, longa metragem do então jovem realizador Barbet Schroeder que se inspirou na citação do filósofo Carl Jung: " Em geral, para os homens, o inconsciente representa a alma sem rosto de mulher". Mais tarde os Floyd lançam MORE em álbum. Depois do furor de MORE, os Floyd continuam a sua desbunda pela América e Europa, onde França é o palco por excelência. E é então que surge ATOM HEART MOTHER, o polémico albúm onde Waters e Wright decidem-se por unir a forma sinfónica e clássica aos instrumentos rock tradicionais do grupo. Entre músicas deliciosas e aplaudidas e outras repudiadas, os mais entusiastas fâs do grupo choram de desconsolo nomeadamente em França. Mas com novos arranjos e acertos, os Floyd a 28 de Junho no festival de Bath debaixo de chuva, tocam alguns clássicos e ATOM HEART MOTHER acompanhados de coros e orquestra, poem o público ao rubro que de pé não se cansa de os aplaudir. 12 de Setembro de 70 no grande palco do bosque de Vincennes os Floyd atrairão a maior multidão de sempre na sua carreira: Quatrocentas Mil Pessoas. A 18 do mesmo mês e pela primeira vez num festival de música clássica (Montreux) um grupo rock actua para público mesclado. Os habitués bem vestidos e os cabeludos de ganga. Em Janeiro de 71 Syd Barret com a ajuda de Gilmour e Wright lança o 2º albúm BARRET. Por esta altura os Floyd e Roland Petit decidem colaborar num projecto de Ballet, baseado numa criação original do grupo. Este encontro demonstrará para os fans franceses iniciais a degradação de um grupo que, depois de ter caído no academismo mais barroco (Atom Heart Mother), se deixa recuperar e explorar por todos os campos e experiências possíveis. Então porquê negligenciar o Ballet?... A 1 de Agosto de 71 os Floyd mais os seus 3 engenheiros de som e 12 toneladas de material voam até Austrália, onde vão pela primeira vez. Passam depois ao Japão, onde ficam até 19 de Agosto. O acolhimento é entusiástico e os Floyd impõem-se sem qualquer problema. A 5 de Novembro de 71 sai na Europa o álbum MEDDLE , neste excelente álbum os Floyd regressaram aos climas tipicamente floydianos. O "prato" forte de MEDDLE é incontestavelmente "Echoes" , uma longa suite sideral característica dos Floyd que ocupa toda a primeira face. A segunda face começa por uma das mais belas músicas concebidas e tocadas pelos Floyd "One Of These Days". MEDDLE será um enorme êxito, continuando 2 anos depois nos hit-parades de 33 rotações. Em Hérouville, os Floyd em Fevereiro de 72, compõem a banda sonora de "O Vale dos Perdidos" realizado por Barbet Schroeder, e em 20 de Março regressam a Hérouville onde terminam a mistura do álbum OBSCURED BY CLOUDS banda sonora de O Vale dos Perdidos. Em meados de Novembro de 72 e pela 2ª vez os Floyd são bem sucedidos na 7ª Arte com Pink Floyd em Pompeia longa metragem de A. Maben, depois de Tonite, Let's All Make Love In London, esta longa metragem em ambientes de arquitectura antiga associado às tecnicas criativas da quadrifonia deixa toda a gente sensibilizada e entusiasmada. Sexta-feira 23 de Março de 73, é enfim comercializado em França o álbum DARK SIDE OF THE MOON (A face oculta da Lua), que em princípio deveria chamar-se Eclipse. Torna-se necessário dizer que Dark Side Of The Moon marca uma etapa particularmente importante na carreira dos Floyd. «O tema de Dark Side of the Moon é, evidentemente, todas as pressões da vida moderna que nos pode levar à loucura. Essas pressões que se chamam dinheiro, viagens, planificação, sentimo-las nós músicos muito mais que o homem da rua»...David Gilmour. Numa altura em que não se deixa de lamentar o excessivo êxito de certos "fazedores de música a metro" da rock-músic, saúda-se com prazer esta feliz coincidência que faz com que o mais vanguardista dos conjuntos ingleses da segunda geração (Pink Floyd), Soft Machine, King Crimson, Van Der Graaf Generator) receba em 1973 a sua consagração no momento exacto em que a sua música encontra todas as suas qualidades inovadoras e artísticas.
1974 - Os Floyd atravessam um período difícil e põem em causa o projecto e gravação de WISH YOU WERE HERE. E todos a pensarem muito em Barrett; Ah, se tu aqui estivesses!... 1975/76 - É lançado Wish You Were Here.... e Syd Barrett tenta gravar alguns títulos Who Knows?... 1977 - Fim de Janeiro sai o décimo álbum ANIMALS , e o grupo festeja o 10º Aniversário num clube de strip de Pigalle, a Nouvelle Eve... 1979 - Sai o duplo álbum THE WALL. E a saga musical dos Floyd continua ainda em 2006, em breve vou actualizar esta página. (continua)