Stephen Hawking

Uma Breve História do Tempo... Uma Breve História do Tempo...

Stephen Hawking nasceu no aniversário da morte de Galileu, ou seja, a 8 de Janeiro de 1942 e é geralmente considerado como um dos físicos teóricos mais brilhantes  desde Einstein. Os seus trabalhos no campo da mecânica quântica e da relatividade com vista à compreensão do Universo têm-se revelado como uma das maiores proezas intelectuais do século XX. Incapaz de falar, paralisado por uma doença degenerativa incurável, conhecida por Doença de Gehring, o cientista britânico comunica com o mundo apenas através  do movimento quase imperceptível de três dedos que accionam um grande número de vocábulos registados e armazenados na memória de um computador especial fixado na cadeira de rodas por ele concebida. Distinguido com vários títulos académicos e honoríficos,  ao tentar ultrapassar as fronteiras da ciência, só encontra equiparação na luta e amor pela vida. 

Vou transcrever algumas passagens deste livro (Uma breve história do tempo) e confesso que não sei por onde lhe pegar, a minha vontade era transcrever todo o livro, mas como não é possível aqui ficam uns "cheirinhos"!

O UNIVERSO EM EXPANSÃO

Se olharmos para o céu numa noite de céu limpo mas sem luar, os objectos mais brilhantes que podemos ver serão possivelmente os planetas Vénus, Marte, Júpiter e Saturno. Haverá também um grande número de estrelas, que são exactamente como o nosso Sol, mas que se encontram muito mais distantes de nós. Algumas dessas estrelas fixas parecem de facto mudar ligeiramente as suas posições em relação umas às outras, enquanto a Terra gira em volta do Sol: não estão absolutamente nada fixas! Isto acontece por estarem comparativamente perto de nós. Enquanto a terra gira em volta do Sol, vemo-las de diferentes posições no pano de fundo de estrelas mais distantes. É uma sorte, porque nos permite medir directamente a distância  a que estas estrelas estão de nós quanto mais próximas, mais parecem mover-se. A estrela que está mais perto de nós, chamada Proxima Centauri, está afinal a  cerca de quatro anos-luz de distância (a sua luz leva cerca de  quatro anos a alcançar a Terra) ou a cerca de vinte e três milhões de milhões de milhas. A maior parte das outras estrelas visíveis a olho nu estão a algumas centenas de anos-luz de nós. O nosso Sol, em comparação, está a uns meros oito minutos-luz de distância! As estrelas visíveis aparecem espalhadas  por todo o céu nocturno, mas concentram-se particularmente numa faixa, a que damos o nome de Via Láctea.. Há muito tempo como 1750, alguns astrónomos sugeriam que o aspecto da Via Láctea podia ser explicado por a maior parte das estrelas visíveis estarem distribuídas numa configuração de disco, como daquilo a que agora chamamos uma galáxia espiral. A nossa imagem moderna do Universo data apenas de 1924, quando o astrónomo americano Edwin Hubble demonstrou que a nossa galáxia não era a única. Havia na realidade muitas outras, com vastidões de espaço vazio entre elas. Sabemos agora que a nossa galáxia é apenas uma  de UMAS CENTENAS  DE MILHARES DE MILHÕES que podem ser vistas com telescópios modernos, cada galáxia contendo em si ALGUMAS  CENTENAS DE MILHARES DE MILHÕES DE ESTRELAS (SÓIS). E estas centenas de milhares de milhões de galáxias continuam a afastarem-se umas das outras.

BURACOS NEGROS

Para se compreender como pode formar-se um Buraco Negro, precisamos primeiro de compreender o ciclo de vida de uma estrela. Uma estrela é formada quando uma grande porção de gás (sobretudo hidrogénio) começa a contrair-se para dentro de si própria por causa da sua  atracção de gravitação. À medida que a estrela se contrai, os átomos do gás colidem uns com os outros, cada vez com mais frequência, e a velocidades cada vez maiores: o gás aquece. A certa altura, o gás estará tão quente que quando os átomos de hidrogénio colidem já não ressaltam, mas juntam-se para formar hélio. O calor libertado neste reacção que é como a explosão controlada de uma bomba de hidrogénio, é o que faz a estrela brilhar.. O calor adicional aumenta também a pressão do gás até ser suficiente para equilibrar a atracção de gravitação: o gás deixa de se contrair. É parecido com um balão: há um equilíbrio entre a pressão do ar dentro dele, que tenta que o balão se dilate, e a tensão da borracha, que tenta tornar o balão mais pequeno. As estrelas permanecem estáveis  durante muito tempo, com o calor das reacções nucleares equilibrando  a atracção de gravitação. A certa altura, porém, a estrela esgotará o seu hidrogénio e outros combustíveis nucleares. Paradoxalmente, quanto maior for a porção de combustível com que a estrela começa, mais depressa este se esgota. Isto sucede porque, quanto mais maciça for a estrela, mais quente precisa de estar para equilibrar a sua atracção de gravitação. E, quanto mais quente estiver, mais depressa gastará o seu combustível. O nosso Sol tem provavelmente combustível suficiente para qualquer coisa como mais CINCO MIL MILHÕES DE ANOS, mas estrelas mais maciças podem esgotar o seu combustível em tão pouco tempo como cem milhões de anos, muito menos que a idade do Universo. Quando uma estrela fica sem combustível, começa a arrefecer e portanto a contrair-se. Isto quer dizer que, quando a estrela fica suficientemente densa a repulsão causada pelo princípio de exclusão é menor do que a atracção da gravidade. Então, sabe-se  que uma estrela fria, de mais do que uma vez e meia a massa do Sol, não poderia manter-se contra a sua própria gravidade. Segundo a Teoria da Relatividade, nada pode deslocar-se mais depressa do que a luz. Portanto, se a luz não consegue escapar-se, mais nada o consegue; tudo é arrastado para trás pelo campo de gravitação. Portanto, há um conjunto de acontecimentos, uma região do ESPAÇO-TEMPO, de onde não é possível escapar-se para alcançar um observador distante. Esta região é aquilo a que chamamos BURACO NEGRO.

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